October 25

A Angústia Humana e Consumismo

EDIÇÃO Nº31 | JUNHO - JULHO | 2016

BREVE EXCERTO

”A vida humana é uma tragédia, que termina com a morte, certa e inevitável! Existimos, vivemos e habitamos dentro dessa dualidade, desses dois mundos,(a) que trazem e carregam em si essa dura e crua realidade, transiente, transicional, relacional, reacional, tautológica, patológica, teratológica e essencialmente pulsional.

E falar de ansiedade, angústia é falar de pulsão!

Embora o termo ansiedade possa, às vezes, ser confundido com angústia, devido, sobretudo, às traduções operadas e sofridas mundo afora, vamos diferençá-los, ainda que, nessa apresentação, venha a ser usado como sinônimos ou equivalentes. Na própria obra de Freud, Angst – seu termo original – é usado como sinônimo ou traduzido como tal. O mesmo ocorre no inglês, anxiety, como no francês, quando emprega o seu correlato angoisse. Há, contudo, de acordo com os sintomas e as suas manifestações nosológicas, uma gama de outros termos para designarmos a ampla variedade de estados apresentados por cada entidade patológica e as suas características sintomatológicas, tais como descritos por Freud na Neurastenia, na Histeria, nas fobias, manias, medo, luto, melancolia, depressão e nas mais diferentes neuroses.”

 A Angústia Humana e Consumismo

de Remark Vale

October 25

Curiosidade e Exploração

EDIÇÃO Nº31 | JUNHO - JULHO | 2016

BREVE EXCERTO

”A espontaneidade natural e inata do bebé manifesta-se pela funcionalidade sensorial e pela actividade motora: tudo observar, tudo tocar, em tudo mexer. É curiosidade e exploração. Sim, exploração – do ambiente, do outro e do próprio (toca e toca-se); e não, agressividade (como alguns pensam e nomeiam). Todo o animal é explorador; e o Homem, mais que todos os outros.

Sendo apenas exploração/investigação (ver e mexer), não há qualquer razão para implicar culpa e necessidade de reparação (como a teoria psicanalítica clássica pretende). Se culpa existir, e consequente necessidade de reparação, não é endógena; foi, isso sim, injectada pelo meio/induzida pelo objecto (que é, assim, agente patogénico). 

Winnicot, quando teoriza sobre o “uso do objecto”, está ainda influenciado pela doutrina kleiniana – é uma cedência/ contaminação da teoria de Melanie Klein. Passa-se o mesmo com Fairbairn quando diz que o esquizoide “destrói pelo amor”; não é destruição, é exploração investigacional.”

 Curiosidade e Exploração

de António Coimbra de Matos

October 25

Os Ansiolíticos no Mundo das Soluções Rápidas

EDIÇÃO Nº30 | ABRIL - MAIO | 2016

BREVE EXCERTO

”Conforme o relatório “Portugal - Saúde Mental em Números 2014”, Portugal é dos países europeus com consumo mais elevado de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos. Em especial, sabemos que o uso de benzodiazepinas (ansiolíticos utilizados no tratamento de situações de ansiedade e insónias), é promotor de dependência e que a sua prescrição é demasiado elevada em Portugal. Aliás, esta tem sofrido aumentos anuais e em sentido contrário à tendência que observamos na restante União Europeia. O consumo de fármacos em território nacional é, na generalidade, demasiado elevado como os antibióticos, caso amplamente divulgado pelos mais variados meios. As perturbações psicológicas afetam mais de um quinto da população portuguesa, com as ligadas à ansiedade a liderar (16,5%) e seguidas pelas depressivas (7,9%) revela o Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental divulgado em 2013 e integrado no World Mental Health Survey Initiative, da OMS.

Consumimos ansiolíticos de forma descontrolada e em prejuízo da nossa saúde física e psicológica. Para muitas pessoas, a toma de psicofármacos surge como única opção. Tanto por falta de informação como por falta de recursos financeiros que permitam outros apoios. E que soluções existem para revertermos esta situação? ”

 Os Ansiolíticos no Mundo das Soluções Rápidas

de Luís Gonçalves

October 25

É Preciso Perceber os Contornos da Violência Doméstica

EDIÇÃO Nº30 | ABRIL - MAIO | 2016

BREVE EXCERTO

”As mulheres espancadas têm o medo colado aos pensamentos e o vazio preso ao olhar. São mulheres que vivem em prisão domiciliária, encarceradas no terror, sem que ninguém organize manifestações por elas. Em 2015 foram apresentadas três queixas de violência doméstica por hora e morreram cerca de 40 mulheres às mãos dos seus parceiros ou ex parceiros.  Estes números deveriam  levar-nos  a reflectir sobre  as razões porque muitas destas mulheres permanecem paralisadas ao lado do agressor, sem sequer apresentarem queixa. E mesmo as que apresentam, muitas vezes, depois recusam-se a colaborar com a acusação. Aliás, em 2014 só um terço das queixas seguiu para tribunal, os restantes casos foram arquivados exactamente  por falta de colaboração das vítimas, segunda dados das procuradoria.

Mas como explicar este fenómeno de falta de colaboração das vitimas? As relações íntimas implicam expectativas implícitas de que de as pessoas se irão mutuamente apoiar. O amor comporta, por inerência, sentimentos de segurança. Por isso,  quando acontecem os primeiros episódios de violência, estes são habitualmente interpretados como incidentes. Esta versão dos acontecimentos é reforçada pelos pedidos de perdão e pelas repetidas declarações de amor do agressor. Para muitas mulheres, o comportamento do marido é tão dissonante com a sua anterior  história relacional que elas negam a sua relevância.  De episódica, a violência passa a sistemática e o marido começa a associar os seus comportamentos agressivos às atitudes dela. O agressor justifica-se pela necessidade de a calar, de a punir por não saber cozinhar,  por não mostrar respeito, por não ela não estar sexualmente disponível, etc.”

É Preciso Perceber os Contornos da Violência Doméstica

de Ana Cristina Silva

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