October 01

Sala de Espera (Ou o imaginário do doente)

DESTAQUES DA PRÓXIMA EDIÇÃO Nº44 | JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO | 2019

BREVE EXCERTO

”Vamos chegando aos pares ou em família. Raramente sozinhos. Porque, com a companhia de alguém que nos é minimamente próximo, é mais fácil de estarmos ali e de nos sujeitarmos aquele ritual diário do bebe a água contada e vai de carro e estaciona-o na garagem e entra no edifício e depois na sala e regista-te e senta-te e espera e aguenta (ou não) a urina acumulada, quando há atrasos e ouve, a horas ou finalmente, o teu nome e abre a porta elétrica e entra na zona dos gabinetes e recolhe a pasta de plástico, com o teu número e identificação, da estante onde todas estão alinhadas e abre e fecha na tranca a porta do corredor/quartinho livre e despe metade da roupa e calça os chinelos e enverga a bata e espera e ouve, de novo, o teu nome e sai e caminha e cumprimenta e faz uma pergunta e diz uma graça ou uma desgraça ou uma queixa ou uma banalidade e deita-te e deixa-te riscar e mexer e moldar, como se fosses plasticina, pelos técnicos que sabem o teu nome e te dizem, finalmente, para ficares muito quieto enquanto o aparelho passeia por cima e à tua volta, piando de vez em quando como uma ave agoirenta, até se cansar e desinteressar de ti, deixando-te então descer da marquesa e vestir e partir e despedir, até amanhã, até ao dia útil seguinte, onde vais encontrar caras novas e conhecidas.

Tudo isso se passa, quotidianamente, de maneira mais ou menos igual e indistinta e independentemente da simpatia, disponibilidade, compreensão, competência e humanidade com que somos sempre acolhidos no balcão de entrada e depois na antecâmara da sala de chumbo da radioterapia e no interior desta última ou, ainda, na consulta médica regular que temos depois da sessão daquele dia.”

Sala de Espera (Ou o imaginário do doente)

de José Eduardo Sapateiro

October 01

A Compreensão da História da Pessoa

DESTAQUES DA PRÓXIMA EDIÇÃO Nº44 | JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO | 2019

RESUMO

A compreensão do sofrimento do outro deve ser o ponto fulcral de qualquer processo terapêutico. Arriscaria a dizer que deve ser o ponto central de qualquer relação, seja ela terapêutica ou não.

Compreender, perceber, escutar, validar, aceitar, acompanhar, apoiar.

Tive a oportunidade de há pouco tempo escrever um texto, num outo fórum, sobre a importância da história na história de cada pessoa. A evolução histórica do mundo e das suas populações, o fado e a cultura de cada povo, são mostra de como cada civilização chegou ao presente. Da mesma forma, a história de cada pessoa é a prova do conjunto de pensamentos, emoções e comportamentos do seu hoje que justificam a transformação e estruturação da sua idiossincrasia. É normal que alguém fique triste no decorrer de uma situação de luto. É normal que alguém fique alegre no decorrer de um sucesso. Estranho seria se acontecesse o contrário ou outra qualquer emoção desadequada à vivência da situação em causa.

A Compreensão da História da Pessoa

de Tiago G. Fonseca 

 

October 16

Determinantes dos estilos de vida

DESTAQUES DA PRÓXIMA EDIÇÃO Nº44 | JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO | 2019

RESUMO

Este artigo destina-se a considerar a relação entre os determinantes dos estilos de vida e a saúde nomeadamente a sua promoção. 

A desigualdade entre países e entre indivíduos do mesmo país é um dos fatores que determina os estilos de vida; tendo aqueles social e economicamente privilegiados, um maior leque de escolhas na procura de um estilo de vida saudável enquanto que os outros têm de se debater com questões fundamentais da existência, sobrevivência e direitos humanos. A pobreza limita o espectro dos estilos de vida e está intimamente ligada á saúde.

Contudo, nos países em vias de desenvolvimento, ao mesmo tempo que se verifica uma diminuição da importância de certos riscos para a saúde (doenças infeciosas, má nutrição, etc.) assiste-se a um aumento dos riscos de saúde ligados a esse mesmo desenvolvimento (doenças relacionadas com stress, consumo de tabaco, álcool e drogas, acidentes de viação, doenças cardíacas, etc.).

 Determinantes dos estilos de vida

de Pedro Matos Gonçalves

October 01

Acreditado para Acreditar

EDIÇÃO Nº43 | OUTUBRO - NOVEMBRO - DEXEMBRO | 2018

BREVE EXCERTO

”Foi durante a leitura de uma revista que me ocorreu o mote para a realização deste artigo. Esta revista continha uma entrevista com Kasparov em que este referia que “Putin não tinha alergia ao sangue”. Um lapso de leitura fez-me entender erradamente a frase. Na altura retive antes que “Putin não tinha alegria no sangue”. Fiz uma interpretação errónea do que estava escrito e adaptei ao que faria mais sentido no meu entendimento interior.

Nesta mesma entrevista, Kasparov referiu também que todos os ditadores mais tarde ou mais cedo caíam, contudo a diferença era a de que Putin tinha o dedo num botão de uma arma nuclear.

Ao ler esta entrevista estruturada sob o meu lapso de entendimento fez-me pensar que a pulsão libidinal (a alegria) na psique (no sangue) seria, então, o ingrediente para evitar as consequências de um predomínio excessivo de uma pulsão agressiva desmembrada (o dedo no botão da bomba nuclear). Contudo, Kasparov dizia o mesmo por outras palavras de linguagem menos psicodinâmica.”

Acreditado para Acreditar

de João Matos

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