October 21

O Zé

EDIÇÃO Nº55 | OUTUBRO - NOVEMBRO - DEZEMBRO | 2021

BREVE EXCERTO

“Vivia a dois quarteirões de distância e vinha todos os dias jantar a nossa casa. Pontualidade britânica: às sete horas a campainha tocava e era ele. Sentava-se na sala a ver televisão ou ia para a varanda fechada brincar com as netas. À espera da refeição. 

Sofria de Alzheimer. Já não se lembrava do que dissera três mi- nutos antes, mas ainda vivia sozinho, cumprindo a sua rotina com método e com uma boa disposição que não perdera, nem depois da morte da mulher. 

Quando esta morrera ficámos naturalmente muito preocupados. Que fazer? Eram os dois unha com carne. Ela cuidava dele e su- pria-lhe a falta de memória. O Zé tinha-se reformado do seu mo- desto, mas famoso, estaleiro de pequenos barcos de recreio, e desde então não fazia mais do que acompanhar a mulher, como uma sombra silenciosa, ela cada vez mais gorda e lenta, ele cada vez mais magro e lento. A Arminda metia conversa com metade de Algés, o Zé sorria a seu lado, muitas vezes sem sequer seguir a conversa, porque era meio surdo.“ 

 

O Zé 

De Sebastião Alves

 

October 21

Lembre-se de Não Se Esquecer... de Viver

EDIÇÃO Nº55 | OUTUBRO - NOVEMBRO - DEZEMBRO | 2021

BREVE EXCERTO

“Era um dia de Outono. Frio e embaciado... com as chuvas finalmente a baterem à porta e nas janelas. Ao sair da Cafetaria, João depara-se com o amigo António, volvidos 20 anos desde a última vez em que se viram. Inevitável foi a surpresa e os dois dedos de conversa que se se- guiram... tanto havia para falar. 

Eram os dois da mesma idade, mas ao despedirem-se, João teve a es- tranha sensação de ter estado a conversar com alguém com metade da sua idade. Mas porquê?! Cada pessoa sonha com o seu futuro... João já não tinha muitos planos para o seu futuro. Mas cedo percebeu que o seu amigo (novo, não em idade mas na forma em que o sentira) parecia, pelo contrário, estar cheio de vida e de planos para o futuro... 

Os dias para ele passavam, corriam, escorriam como a chuva, iguais e pardacentos. Na mesma casa de sempre, com os mesmos conhecidos de sempre, as mesmas rotinas, percursos e locais e sítios de sempre. Só o emprego não fora o de sempre pois já não existem empregos para sempre...“ 

 

Lembre-se de Não Se Esquecer... de Viver

De Sara Ferreira

 

October 21

Noções do Determinismo e Causalidade Psíquica Com Regentes da Vida Psíquica na Obra de Fre

EDIÇÃO Nº55 | OUTUBRO - NOVEMBRO - DEZEMBRO | 2021

RESUMO

“O artigo apresenta as noções de determinismo e causalidade psíquica como regentes da vida psí- quica e aborda a questão de escolha sendo paradoxal ao determinismo de acordo com as obras de Sigmund Freud. Resultados de uma revisão literária das obras de Freud que teve como finalidade re- alizar os estudos bibliográficos de publicações cientificas de suas obras desde 1893 a adaptações de seus livros em 1996. Buscou-se apresentar conceitos de determinismo e causalidade psíquica que abordam a questão de escolha e livre arbítrio enriquecendo a compressão do assunto. Ao esclarecer sobre o tema afim de progredir cientificamente, principalmente, sobre as noções de determinismos e causalidade psíquica, que estão presentes em quase todas as obras freudiana, permitindo possi- bilitar uma nova visão sobre o assunto proporcionando uma melhor compreensão. Evidencia que as noções de determinismo, causalidade psíquica e a questão de escolha possuem influências incons- cientes, justificando então as escolhas não serem de ordem livre. O enfoque da pesquisa é verificar como o conceito de determinismo e causalidade psíquica como regentes da vida psíquica aborda a questão da escolha; analisar como a questão de escolha é de ordem paradoxal com o conceito de determinismo; e caracterizar a importância dessa obra regente na vida psíquica.“

 

Noções do Determinismo e Causalidade Psíquica Com Regentes da Vida Psíquica na Obra de Freud e a Questão da Escolha 

De Ananda Vanessa Viana dos Santos, Ana Cataria Correia Mesquita

 

October 21

A Urgência de Se Estar Sempre a Fazer Alguma Coisa Leva-nos Aonde?

EDIÇÃO Nº55 | OUTUBRO - NOVEMBRO - DEZEMBRO | 2021

BREVE EXCERTO

“Numa sociedade onde o fazer, fazer, fazer, impera; onde há uma pressão constante por desempenhos excelentes e uma rentabilidade máxima e onde o fazer nada, passou a ser visto negativamente, numa urgência constante em responder às expectativas pessoais e sociais, estão criadas as condições ótimas para o desenvolvimento de quadros de stres- se, mal-estar, depressão e insatisfação... É nesta sociedade em que vivemos atualmente! 

A forma como as pessoa se julgam, se comparam e se sentem julgadas pelos outros (mesmo que não o sejam), leva a um sentimento de culpa, que vai incutindo na maioria das pessoas a crença - ou estamos a produzir, a criar, a investir no nosso tempo de forma clara, ou somos preguiçosos. Parece que o descanso deixou de ser bem aceite, parece que cada vez mais as pessoas sentem que o não fazer nada é um desperdício de tempo. Às vezes, até quando nos apercebemos que precisamos de descanso e que um momento de não fazer nada seria tão bom, há aquela voz crítica que nos diz que não podemos, não é suposto... Tanto que essa ideia nos é passada, que vai sendo incorporada em nós! É passada por quem? Chefes, empresas, media, sociedade de forma geral... Ninguém quer ser visto como preguiçoso.“ 

 

A Urgência de Se Estar Sempre a Fazer Alguma Coisa Leva-nos Aonde?

De Joana de São João Rodrigues 

 

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