January 01

Da Poesia à Ficção

EDIÇÃO Nº52 | JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO | 2021

 

BREVE EXCERTO

 

“Que fazer quando a poesia secou? Que fazer quando as imagens se repetem, espelhos paralelos, pedras, musgo, vácuo? Que fazer quando se sente a atração do vácuo e tudo o resto é máscara? Era preciso reagir.

E fui à luta! Eu sempre quisera escrever contos. Várias vezes tinha tentado sem conseguir. Acho que o principal motivo era falta de convicção. Não acreditava que soubesse suficientemente a respeito da vida e não acreditava que fosse capaz. Por isso não tentava com o devido empenho.

Mas agora tinha que ser! Afinal eu era ainda um jovem de quarenta e cinco anos... Comecei a folhear velhas ideias, velhas tentativas falhadas, a tentar encontrar fio condutor e desfecho para cada uma delas. Em vão. Foram meses e meses de derrotas sucessivas, agarrado apenas à teimosia que prende o náufrago à tábua flutuante.

Até que um dia me lembrei do meu sogro, que sofria de Alzheimer, e me ocorreu um título mágico: “Memórias de um amnésico“.“

 

Da Poesia à Ficção

De Sebastião Alves

January 01

Adolescentes e novos meios de comunicação digitais

EDIÇÃO Nº52 | JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO | 2021

 

RESUMO

 

Introdução: Winnicott define o objeto transitivo como aquele que possibilita a ponte entre o mundo interno da criança e o meio exterior, que confere segurança e permite a construção de um self vivo, criativo e separado do mundo, ainda que em relação com este.

Objetivos/Métodos: Transportando este fundamento para a atualidade, os autores propõem-se através de revisão da literatura disponível, a conceptualizar o uso dos meios de comunicação digitais (smartphones, tablets...) pelos adolescentes, à luz da teoria do objeto/fenómeno transitivo e espaço potencial. 

Conclusão: O carácter transicional dos smartphones e tablets relaciona-se com a sua presença universal na vida dos adolescentes, funcionando como parte da sua realidade interna, mas permitindo colocá-lo em relação com os outros, garantindo constância e segurança e possibilitando acesso ao campo da cultura.

 

Adolescentes e novos meios de comunicação digitais - Revisitando o fenómeno transitivo de Winnicott

De Ana Catarina Serrano, Sandra Pires, Cláudia Gomes Cano, Raquel Campos

January 01

Falta de Saúde Mental e Crise Financeira de Mãos Dadas

EDIÇÃO Nº52 | JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO | 2021

 

BREVE EXCERTO

 

“Basta olhar para trás e ver pela História e pelas experiências recentes para sabermos que as crises sanitárias rapidamente se associam a crises económicas e sociais. A pandemia COVID-19 deixou muitas famílias em dificuldades financeiras, em situações de desemprego ou com diminuição dos seus rendimentos. Neste momento, muitos vivem preocupados com a estabilidade e com a continuidade da sua situação profissional. Se a situação de pandemia por si só é geradora de preocupação, ansiedade e stresse, quando temos preocupações com a nossa sustentabilidade financeira e da nossa família, os níveis de preocupação e ansiedade podem aumentar.

Segundo pesquisas conduzida pela APA – American Psychological Association, o dinheiro é a principal fonte de stresse para a maioria das pessoas, e estudos realizados durante esta pandemia já demonstram que a ansiedade financeira pode ser tão elevada quanto a ansiedade relativa à saúde. Para além disso, o problema financeiro pode agravar as situações de quem já está com problemas psicológicos, intensificando todos os sintomas nomeadamente pensamentos negativos em relação a si, à vida e ao futuro, bem como os quadros ansiosos, melancólicos e de desesperança.“

 

Falta de Saúde Mental e Crise Financeira de Mãos Dadas

De Joana de São João Rodrigues

January 01

Opá, educa-te. Lê um livro.

EDIÇÃO Nº52 | JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO | 2021

 

BREVE EXCERTO

 

“Esta é uma das conclusões habituais das interacções no Twitter. Com esta sentença põe-se termo a trocas de insultos, sequências de falácias ad hominem e outras atribulações da retórica contemporânea para pessoas apressadas e que pré-classificaram os seus interlocutores virtuais como bestas ou pior. Em geral, depois deste expletivo, o contendor retira-se vitorioso, sublinhado a renuncia à discussão, usual- mente com o outro classificado como “porco“, “estúpido“, “facho“ ou “esquerdalho“.

 Prevalece uma importante questão. Mas, qual livro?

Por enquanto não consegui vislumbrar uma resposta adequada a este mistério. Não obstante, cresce o número de adolescentes que se aventuram ao longo desta curiosa avenida. “Educa-te. Lê um livro“. Uma espécie de tirocínio para mais tarde aparecerem no Linkedin como “Life Coach“, possivelmente com base na extraordinária experiência acumulada até à sua provecta idade de 23 anos.“

 

Opá, educa-te. Lê um livro.

De José Manuel Fonseca

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