January 26

Do Acting-out ao Enactment

EDIÇÃO Nº56 | JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO | 2022

 

BREVE EXCERTO

“Do acting-out (passagem ao acto) ao enactment (enacção ou encenação) vai um passo importante: da não reflexão à reflexão, do curto-circuito ao médio-longo circuito, do imediatismo ao mais ou menos ponderado. Um agir em arco reflexo (estímulo – resposta) ou impulsivo (estimulação interna) e um agir após tratamento implícito das informações. A diferença é esta: na enacção há uma elaboração – se bem que implícita ou inconsciente – dos informes; há, pois, intervenção, não só do córtex associativo como também e fundamentalmente do neo-cortex pré-frontal supra-orbitárion e da comunicação implícita com outro indivíduo – do que se convencionou chamar “cérebro social” e conhecimento relacional implícito.

Assim, enquanto no acting-out (passagem ao acto) está em efectivo uma causalidade ou etiologia ascendente (de baixo para cima) e centrípeta (da periferia para o centro), no enactment (encenação) a efectividade resulta de uma causalidade/etiologia descendente (de cima para baixo) e centrífuga (do centro – sujeito – para a periferia – objecto). O primeiro é da ordem primária; o segundo, já da ordem secundária. O acting-out diz respeito à unidade biológica – o indivíduo –; o enactement, à unidade psicológica – o par.“ 

 

Do Acting-out ao Enactment 

De António Coimbra de Matos

 

January 26

Homenagem ao Dr. José Barata

EDIÇÃO Nº56 | JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO | 2022

BREVE EXCERTO

“O Zé Barata foi um homem exemplar, um grande homem. Grande na compleição anímica: bom, generoso, corajoso – que soa melhor em inglês: good, giving, game. A generosidade e a coragem, ditando a preocupação e ocupação com a necessidade e bem-estar do outro – empatia e compaixão, dúplice virtude iátrica – e o respeito pela condição de existência e dignidade de vivência do congénere – a solicitude ou “concernência”, da qual nos fala Winnicott –, fizeram dele um psiquiatra e psicanalista de excelência; a firmeza de caracter e determinação da vontade, o modelo de cidadão, companheiro e amigo, que nos aquece a alma e tempera a acção.

Estamos aqui, todos nós, pelo espírito de comunhão que com ele exercitamos; vamos em frente pelo cúmplice desejo de construção de um mundo mais livre, solidário e criador – imperativo que, pelo exemplo dele, nos impusemos.

Com o Zé, de sobremão, vivemos a alegria, a força e a criatividade do nós, validamos a “nosteridade” (aquilo que os anglo-saxões designam por weness). Esquecê-lo seria abdicar da nossa própria humanidade.“ 

 

Homenagem ao Dr. José Barata 

De António Coimbra de Matos

 

January 26

Nova Relação

EDIÇÃO Nº56 | JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO | 2022

BREVE EXCERTO

“Se como variante da técnica hipnótica) usamos a disposição poltrona atrás do divã para evitar a troca de olhares e mímicas, não deixamos com isso – essa equívoca cautela – de influenciar o paciente. Antes, pelo contrário, adquirimos um maior poder de influência: ao ascendermos, com isso – essa posição do invisível –, ao lugar mágico - simbólico do tutor omnisciente e omnipotente (o suposto tudo saber e poder). Se a isso acrescentarmos a regressão induzida no paciente pelo decúbito dorsal, a possibilidade de o influenciar é máxima. Logo, a grande cautela que ao analista se impõe é a de respeitar a autodeterminação, liberdade e autonomia do analisando, seja, apenas o influenciar a querer saber e realizar quem desejava ter sido e deseja ser e vir a ser. Como assim: se o analista cuidar da liberdade do paciente, este cuidará de encontrar e desenvolver a sua verdade.

Sendo esta a finalidade primeira e última da psicanálise e desta feita exercida, o divã, então, aumenta a responsabilidade do psicanalista; e em duplo sentido: (1) maior peso das consequências da sua participação no processo de cura, e (2) maior exigência de qualidade na sua presença e agência.“ 

 

Nova Relação 

De António Coimbra de Matos

 

January 26

Psicanálise Contemporânea

EDIÇÃO Nº56 | JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO | 2022

BREVE EXCERTO

“A psicanálise contemporânea tem como objecto de estudo a história real das relações do indivíduo com o seu meio humano, a história vivida e sentida dos relacionamentos do sujeito com o (os) seu (seus) objecto (objectos), i.e., da pessoa em causa com os seus parceiros (as outras pessoas das inter-relações); desde o início da vida à actualidade, dando especial relevo aos períodos de formação e consolidação da personalidade – infância e adolescência. História real, aqui,  quer dizer tal como foi sentida pelo próprio, logo, verdadeira e realmente vivida; não a história “real” como observada e registada por um qualquer instrumento de análise e medição ou observador externo lúcido e neutro. É a história interna, subjectiva, construída pelo sentir, vivenciada ou experienciada, como a experiência do sentimento a viveu e registou na memória emocional, como a apreendeu na sua qualidade e ressonância afectiva (não como a representou mentalmente, a conheceu pelo pensamento, a aprendeu cognitivamente  e registou na memória episódica – dos acontecimentos percebidos – e memória semântica – do conhecimento conceptual e significativo). Sublinhamos: é a história vivida; e não, a história acontecida. Esta diferença é essencial. Assim, em vez do cartesiano cogito, ergo sum (penso, logo existo), teremos: sinto, portanto sou. Não se trata de “existir” para o observador (seja ele o pensamento); mas de ser e estar sendo, sentir-se como realmente/sentidamente existente, vivo e com vida própria.“ 

 

Psicanálise Contemporânea 

De António Coimbra de Matos

 

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